Na corrida eleitoral de 2026, o uso de funk por candidatos da direita como uma estratégia para conquistar a juventude e viralizar nas redes sociais se mostrou controverso e, em muitos aspectos, contraditório. Apesar dos esforços de figuras como Eduarda Campopiano e Flávio Bolsonaro, a conexão entre estas campanhas e o gênero musical não convenceu os próprios artistas e provocou críticas por uma aparente hipocrisia.
Durante o segundo turno, as músicas que embalaram as manifestações políticas foram adaptadas, trazendo letras que exaltavam o candidato do PL e atacavam Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o verdadeiro apoio dos funkeiros às campanhas de direita foi notoriamente ausente. A música que se destacou, com o refrão provocativo “Quem ficar parado é petista disfarçado”, funcionou como um convite à dança, mas também levantou questionamentos sobre a autenticidade do envolvimento dos candidatos com a cultura funk.
A relação entre a direita e o funk é complexa, considerando que muitos desses políticos têm criticado o gênero por suas supostas ligações com a narcocultura, um conceito que eles utilizam para descrever o que consideram comportamentos inadequados associados ao tráfico de drogas. Essa visão contradiz a festa e a celebração que o funk representa para muitos jovens, refletindo um abismo entre a política e a cultura popular.
Um exemplo claro dessa contradição é Lucas Pavanato, que, enquanto celebrava sua eleição como vereador em São Paulo, se tornava relator de uma CPI que investigava os “pancadões”, festas que frequentemente são associadas ao funk. Sua postura dual — dançar ao som do ritmo enquanto criticava suas origens — exemplifica a dificuldade que os políticos de direita têm em se alinhar com um gênero que, há pelo menos uma década, se manteve distante de posicionamentos políticos.
Desde a sua popularização, o funk paulista sempre navegou em águas apolíticas. A tentativa de aproximação com a política institucional, como a candidatura de Rodrigo Oliveira à Câmara Municipal, não teve sucesso significativo. As polarizações nas eleições de 2018 e 2022 dividiram a cena funk, mas muitos artistas, como MC Ryan SP, mudaram de posição, criando um cenário confuso para os eleitores jovens. Em 2026, a rejeição ao uso do funk por candidatos conservadores foi evidente, com muitos artistas reafirmando seu apoio a Lula.
Por sua vez, os políticos de direita se defendem, argumentando que têm o direito de usar o funk como uma ferramenta criativa. Pavanato, por exemplo, declarou que seu problema não é com o ritmo, mas com as letras. No entanto, a resistência de figuras como Renan Santos, que criticaram essa apropriação, evidencia um descompasso entre a liberdade criativa proposta e a percepção pública sobre o uso do funk em campanhas eleitorais. Essa situação levanta uma questão crucial: até que ponto a cultura pertence a quem a consome ou a quem a utiliza para fins políticos?
Crédito da imagem: Funk de camapnha do Flávio viralizou entre os jovens


