segunda-feira, 02/11/2026

Romulo Fróes, Thiago França e Rodrigo Campos exploram novas sonoridades no álbum ’03 na Ribanceira

O novo álbum “03 na ribanceira”, lançado no dia 29 de outubro, traz uma colaboração vibrante entre Rodrigo Campos, Romulo Fróes e Thiago França, três figuras proeminentes da cena musical independente de São Paulo.…

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O novo álbum “03 na ribanceira”, lançado no dia 29 de outubro, traz uma colaboração vibrante entre Rodrigo Campos, Romulo Fróes e Thiago França, três figuras proeminentes da cena musical independente de São Paulo. Embora o disco seja essencialmente um trabalho de samba, suas composições revelam uma tonalidade melancólica, refletindo um samba que caminha sob nuvens pesadas.

A capa do álbum, uma pintura de Romulo Fróes, já antecipa a atmosfera introspectiva que permeia as faixas. Os três artistas se apresentam em uma jornada musical que evoca a letra da canção “Saída”, onde expressam a busca por uma saída em meio à incerteza. As letras poéticas, em sua maioria, destacam-se com grande clareza, como em “Bodiado”, um samba que se ergue como um poema de angústia e nostalgia, lembrando a obra de Chico Buarque.

Romulo Fróes, com seu timbre áspero, intensifica o clima de desassossego que permeia o álbum, mas há também momentos de esperança. A faixa “O nosso jogo de azar”, coescrita com Thiago França, sugere um movimento de superação, acompanhada por arranjos que valorizam a rica percussão conduzida por Campos e o cavaquinho de França. O instrumental “Chapéu lilás” brinca com a dissonância entre saxofone e guitarra, criando uma textura sonora intrigante.

“Mamoso”, outro tema instrumental, evoca a energia do samba-choro, enquanto “Corpo e capim” traz à tona a introspecção com a letra que revela um desabafo existencial: “Choveu dentro de mim”. A melancolia continua em “Mora na memória”, onde a memória é um território de saudades e incertezas, encerrando o álbum com uma reflexão sobre o que foi perdido.

Ao final, “Um rio sem rio”, interpretada por Verônica Ferriani e Romulo Fróes, destaca-se como uma obra-prima, simbolizando a festa da vida que se esvai. O brilho criativo de Campos, Fróes e França se manifesta em cada canção, fazendo de “03 na ribanceira” um álbum que, apesar de sua carga melancólica, oferece uma potente reflexão sobre a vida e suas desordens.