Benito Di Paula, ícone da música brasileira, faleceu na última noite de domingo, aos 84 anos, e seu velório acontece hoje, 20 de outubro, das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo, em uma cerimônia aberta ao público. A morte do artista trouxe à tona uma reflexão sobre o reconhecimento tardio que ele recebeu ao longo de sua carreira e como sua obra, agora, é reavaliada sob uma nova luz.
Nos últimos anos, o legado de Benito vinha sendo revisitado, especialmente após o lançamento do tributo “Benito 80” em 2022, que contou com interpretações de artistas contemporâneos como Criolo e João Bosco. Além disso, a escola de samba Águia de Ouro prestou uma homenagem ao cantor durante o Carnaval de 2025, sinalizando uma mudança na percepção pública sobre sua contribuição à música brasileira.
No entanto, é pertinente questionar por que o reconhecimento pleno só chegou após sua partida. A trajetória de Benito foi marcada por críticas e desdém, principalmente entre as elites culturais que o viam como um traidor do samba, devido à sua proposta de mesclar ritmos e incorporar influências latinas ao gênero. Seu samba, muitas vezes alegre, também carregava uma profundidade emocional que se manifestava em canções como “Retalhos de cetim” e “Vai ficar na saudade”.
Faltou, em vida, uma valorização mais robusta do seu talento, com prêmios e honrarias que reconhecessem sua influência e seu papel como compositor e intérprete. Questões como a ausência de homenagens significativas, tanto no Prêmio da Música Brasileira quanto no Grammy Latino, levantam a discussão sobre a falta de visão de uma parte da crítica musical, que muitas vezes privilegia artistas apenas após suas mortes.
É trágico que a verdadeira grandeza de Benito Di Paula só agora seja celebrada, contrastando com o silêncio que o acompanhou em vida. A expectativa é que, após sua partida, não apenas surjam novos álbuns e shows em homenagem ao artista, mas que essa redescoberta sirva também como um convite à reflexão sobre a valorização dos artistas enquanto estão entre nós. O reconhecimento tardio é uma realidade desgastante que se repete na história da música brasileira, e é hora de que isso mude.



