quinta-feira, 29/10/2026

100 Dias” apresenta a jornada de Amyr Klink com precisão, mas carece de emoção na narrativa.

O longa “100 dias”, que marcou o fechamento da Première Brasil no Festival do Rio, traz à tela a notável travessia de Amyr Klink pelo Atlântico Sul, mas falha em transmitir a profundidade emocional…

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O longa “100 dias”, que marcou o fechamento da Première Brasil no Festival do Rio, traz à tela a notável travessia de Amyr Klink pelo Atlântico Sul, mas falha em transmitir a profundidade emocional que o tema promete. Com estreia programada para esta quinta-feira (29), o filme se destaca pela produção cuidadosamente elaborada, uma direção competente e um elenco talentoso, mas deixa uma impressão de que faltou algo essencial para engajar plenamente o espectador.

Baseada no livro “Cem Dias Entre Céu e Mar”, escrito pelo próprio Klink, a narrativa se passa em 1984 e acompanha o navegador, interpretado por Filipe Bragança, em sua ousada jornada a remo, partindo de Lüderitz, na Namíbia, em direção a Camaçari, na Bahia. Durante a travessia, que se estende por 100 dias, Klink enfrenta não apenas os desafios do mar, mas também a solidão e o medo, contando com o apoio de sua mãe Asa (Philippine Leroy-Beaulieu) e do irmão Tymur (João Vitor Silva), que o orientam à distância.

A trama, apesar de sua rica base dramática, peca em momentos cruciais, onde a intensidade da luta interna do protagonista poderia ter sido mais explorada. A direção de Carlos Saldanha, conhecido por seus trabalhos em animação, captura com eficácia a claustrofobia e a angústia da solidão em alto mar, especialmente nas cenas em que Klink se vê preso em sua pequena embarcação. Contudo, mesmo com uma estética visual impressionante, a falta de um pulso emocional mais forte compromete a conexão do público com a história.

O roteiro, escrito por Elena Soarez e Thais Tavares, oscila entre passagens intrigantes e soluções mais convencionais, particularmente nas interações familiares. As estratégias de Klink para enfrentar a solidão são retratadas de forma mais eficaz do que os conflitos com seu pai, vivido por Felipe Camargo, que se revela um personagem raso e previsível.

Embora o filme apresente algumas falhas técnicas, como efeitos visuais que às vezes comprometem a imersão, a escolha do elenco se destaca. Filipe Bragança, em sua primeira experiência em um papel tão solitário, consegue transmitir a luta do protagonista com maestria. O jovem ator é apoiado por um elenco coeso, incluindo João Vitor Silva, que traz uma química convincente como irmão, e Philippine Leroy-Beaulieu, que apresenta uma mãe preocupada e amorosa. O desempenho de Camargo, no entanto, carece de profundidade, reduzindo seu papel a um antagonismo superficial.

No geral, “100 dias” oferece uma narrativa sólida sobre uma conquista histórica de Amyr Klink, mas parece não conseguir capturar a magnitude emocional da jornada retratada. O resultado é um filme que, embora bem produzido, não consegue ressoar com a força que sua matéria-prima poderia sugerir, relegando a obra a uma experiência satisfatória, mas menos impactante do que deveria.