quarta-feira, 21/10/2026

Reflexões de J.R.R. Tolkien sobre o momento mais comovente de ‘O Senhor dos Anéis

Em uma rara entrevista de 1968, que ficou arquivada por décadas na BBC, J.R.R. Tolkien compartilhou reflexões fascinantes sobre sua vida e obra, revelando que, se um mago como Gandalf o tivesse abordado na…

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Em uma rara entrevista de 1968, que ficou arquivada por décadas na BBC, J.R.R. Tolkien compartilhou reflexões fascinantes sobre sua vida e obra, revelando que, se um mago como Gandalf o tivesse abordado na infância, ele provavelmente teria hesitado em embarcar em uma aventura. “Eu não tinha interesse em situações estranhas”, confessou o autor, destacando sua educação que o ensinou a evitar interações com estranhos. Esta declaração, que nunca foi ao ar na época, foi recuperada para um programa de rádio em 2019, trazendo à tona um lado mais pessoal do criador de “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis”.

A primeira edição de “O Hobbit” foi lançada em 21 de setembro de 1937, data que agora é celebrada como a “Semana Tolkien”. Durante a entrevista, Tolkien recordou uma caminhada pelas montanhas suíças em 1911, que serviu como inspiração para a jornada de Bilbo. Ele descreveu a experiência como uma das poucas aventuras de sua vida, onde, apesar dos perigos, não encontrou criaturas fantásticas, mas viveu momentos de intensa emoção.

Tolkien também explorou suas paixões linguísticas, que começaram na juventude e se intensificaram após sua participação na Primeira Guerra Mundial. Ele revelou que um interesse pelo finlandês influenciou a criação dos idiomas em sua Terra Média, refletindo a riqueza e a complexidade de suas obras. “O que começou como um hobby acabou moldando todo um universo”, afirmou, destacando a interconexão entre suas experiências e sua escrita.

Um dos pontos mais tocantes da conversa foi a análise de Gollum, um dos personagens mais intrigantes de sua obra. Tolkien descreveu Gollum como um exemplo de corrupção, ressaltando a complexidade moral que permeia suas histórias. O autor destacou a tragicidade do momento em que Sam, ao tentar proteger Frodo, inadvertidamente impede a redenção de Gollum, exemplificando como o bem pode, por vezes, provocar consequências desastrosas.

Essas reflexões trazem à tona um aspecto profundo da narrativa de Tolkien: a moralidade em suas obras não é simplista. O autor enfatizou que, embora as linhas gerais entre o bem e o mal possam parecer claras, a realidade é muito mais intrincada. Essa complexidade moral é um dos elementos que torna os escritos de Tolkien tão ressonantes e duradouros, desafiando os leitores a refletirem sobre a natureza da bondade e da maldade.

Crédito da imagem: O escritor J.R.R. Tolkien