Com uma carreira marcada por uma abordagem ousada do sexo, o diretor Gregg Araki retorna à tela grande com “I Want Your Sex”, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 22. Famoso por sua contribuição ao movimento New Queer Cinema, Araki agora traz uma perspectiva refrescante sobre a sexualidade da geração Z, destacando tanto as novas experiências quanto as inibições que permeiam as relações contemporâneas.
A trama gira em torno de Elliott (Cooper Hoffman), um jovem assistente que se vê envolvido em um relacionamento intenso e dominador com a artista Erika Tracy, interpretada por Olivia Wilde. A diferença de idade entre os dois não é apenas um detalhe, mas um ponto central que provoca uma reflexão sobre o desejo e a descoberta sexual em tempos modernos. Enquanto Elliott vive um namoro sem emoção com Minerva (Charli XCX), é a sua chefe que o instiga a quebrar barreiras e explorar sua própria sexualidade.
Olivia Wilde entrega uma performance multifacetada como Erika, alternando entre a dominação e momentos de vulnerabilidade, o que a torna uma figura cativante na narrativa. Sua habilidade em trazer humor a diálogos absurdos também se destaca, mantendo o espectador engajado. Por outro lado, Cooper Hoffman representa as inseguranças e ambivalências da geração Z, que, segundo o filme, se vê presa entre a necessidade de se conectar e as pressões sociais que a inibem.
O filme se propõe a discutir a sexualidade de forma leve, mas não isenta de crítica. Enquanto a estética vibrante e pop contrasta com a seriedade do tema, a narrativa revela uma visão que, embora provocativa, por vezes parece estereotipada, revelando a dificuldade de entender plenamente as dinâmicas da geração que pretende abordar. A condução da história, que flutua entre momentos de comédia e drama, pode deixar a impressão de que o roteiro, escrito por autores de uma geração anterior, não capta totalmente a essência dos jovens.
No entanto, “I Want Your Sex” se destaca como uma obra que, apesar de suas falhas, proporciona uma reflexão divertida e provocadora sobre sexo e relacionamentos. Com um tom leve e irreverente, o filme é uma lufada de ar fresco em um cenário cinematográfico saturado de remakes e produções comerciais, convidando o público a uma discussão necessária e, muitas vezes, hilária sobre a sexualidade na atualidade.
Crédito da imagem: Cooper Hoffman e Olivia Wilde em 'I Want Your Sex' (2026)


