Com a estreia de “Cara-de-Barro” nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (22), o público se depara com uma proposta incomum dentro do universo da DC Comics: trata-se do primeiro longa-metragem de terror da franquia, sob a batuta de James Gunn, que vem moldando o DCU desde o lançamento de “Comando das Criaturas” e “Superman” em 2025.
Diferente do que muitos fãs esperavam, o filme não traz uma nova interpretação de um dos ícones do Batman, mas sim um vilão menos conhecido, Matt Hagen, que tem sua jornada marcada por tragédias e transformações. A história começa com Hagen, interpretado por Tom Rhys Harries, um ator em ascensão que, após um trágico incidente envolvendo a mulher de um gângster, perde não apenas sua aparência, mas também sua fortuna e suas relações. Em busca de redenção, ele se submete a um experimento que promete restaurar seu rosto, mas que o leva a uma espiral de deformação e violência.
<p"O longa se destaca por oferecer uma narrativa de terror que, embora se inspire em clássicos do gênero, não busca a dramaticidade extrema de obras como "Coringa". Em vez disso, "Cara-de-Barro" se concentra em criar um ambiente de tensão e horror, conseguindo manter o espectador no limite da cadeira em várias cenas impactantes.
O roteiro, assinado por Mike Flanagan e Hossein Amini, é uma adaptação de episódios da icônica “Batman: A Série Animada” e apresenta uma narrativa de ascensão e queda que mantém o espectador intrigado, mas sem incutir empatia no protagonista. O filme se distancia de uma abordagem puramente heroica, proporcionando uma visão mais sombria e complexa da transformação de Hagen em um ser vingativo.
James Watkins, na direção, é capaz de construir um clima de suspense, evitando sustos fáceis e apresentando um Matt Hagen cada vez mais instável. Uma cena em particular, ambientada em uma boate, onde o protagonista se disfarça para se infiltrar em uma gangue, é um momento de destaque que combina tensão e criatividade.
Os efeitos visuais e a maquiagem são, sem dúvida, os pontos altos do filme, com transformações corporais que evocam o subgênero “Body Horror”, embora não cheguem ao extremo de obras como “A Mosca”. A repulsa causada por algumas cenas pode ser intensa, mas também é um testemunho do trabalho meticuloso da equipe de produção.
Por outro lado, o elenco, embora não repleto de estrelas, demonstra competência, especialmente Tom Rhys Harries, que traz uma intensidade ao papel de Matt Hagen. Sua performance cativa, transmitindo a fragilidade e a crescente insanidade do personagem. Naomi Ackie também se destaca como a Dra. Caitlyn Corr, equilibrando ambição e preocupação pelo que seus experimentos podem causar.
Ainda que “Cara-de-Barro” não faça muitas referências diretas ao universo mais amplo do Batman, ele consegue entreter tanto os devotos dos quadrinhos quanto os fãs de terror. A conexão com o futuro do DCU poderia ser mais sutis e integradas, mas a expectativa fica no ar para ver como esse vilão multifacetado se encaixará nas próximas produções. A promessa de um possível embate com o Batman certamente aguça a curiosidade dos espectadores.


