O documentário “Mestre Zu”, que estreia em 22 de outubro, surge como uma necessária homenagem ao legado de Zuenir Ventura, um dos mais influentes jornalistas e escritores do Brasil, que faleceu recentemente aos 95 anos. A obra, dirigida por Zelito Viana e codirigida por Luciana Savaget, ganha um peso especial em um contexto de luto, celebrando a vida de um homem que se tornou um ícone do jornalismo moderno.
Carinhosamente conhecido como “Mestre Zu”, Zuenir conquistou o respeito de diversas gerações de jornalistas, não apenas pela sua trajetória profissional, mas também pela maneira acolhedora com que interagia com seus colegas. Com mais de seis décadas de experiência, ele deixou sua marca em publicações renomadas como “Jornal do Brasil”, “O Globo”, “Veja” e “Época”, sempre mantendo sua essência como repórter e crítico aguçado.
O documentário também se propõe a traçar um perfil íntimo de Zuenir, revelando suas origens humildes em Nova Friburgo, onde trabalhou em diversos ofícios, desde pintor de paredes até boy de banco. Essas experiências moldaram sua visão de mundo e foram fundamentais para sua formação como um dos grandes cronistas sociais do país. A figura de sua mãe, que se desdobrava para garantir sua educação, é um testemunho do valor que ele sempre atribuiu à luta e ao sacrifício familiar.
Além disso, o filme destaca a coragem de Zuenir ao cobrir momentos cruciais da história brasileira, como sua atuação como intérprete de João Goulart em Paris e os desafios enfrentados durante a ditadura militar, que culminaram em sua prisão após o AI-5. Sua habilidade em aliar rigor jornalístico e sensibilidade literária se reflete em obras marcantes como “1968 – O Ano que Não Terminou”, “Chico Mendes”, “Cidade Partida” e “Inveja – Mal Secreto”. “Mestre Zu” não é apenas um tributo; é uma reflexão sobre o impacto duradouro de um homem que, através de suas palavras e ações, ajudou a moldar a narrativa do Brasil contemporâneo.
Crédito da imagem: Foto: Pixabay — mostafa_meraji (pixabay)


