terça-feira, 03/11/2026

Funk com temática política da direita no Brasil traz influências da União Soviética; entenda a trajetória do hit.

O funk intitulado “Solinho do Fora PT”, popularizado entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro durante a campanha de 2026, traz à tona uma melodia com uma trajetória histórica fascinante, que remonta ao século 19…

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O funk intitulado “Solinho do Fora PT”, popularizado entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro durante a campanha de 2026, traz à tona uma melodia com uma trajetória histórica fascinante, que remonta ao século 19 na Rússia. Baseado no tema do famoso videogame Tetris, a canção tem suas raízes em um poema de Nikolai Nekrasov, publicado em 1861, que retratava a vida do povo russo.

Originalmente conhecida como “Korobeiniki”, esta melodia se tornou um símbolo da cultura folclórica russa e ganhou notoriedade após ser gravada pelo coro do Exército Soviético na década de 1980. O que muitos talvez não saibam é que sua popularidade se expandiu globalmente quando se transformou na trilha sonora do Tetris, um jogo criado em 1984 por Alexey Pajitnov, que se tornou um marco na história dos videogames.

O sucesso da canção no cenário do funk carioca não é uma novidade. Desde o início dos anos 2000, ela já havia sido incorporada ao gênero, com a versão de “Jonathan da Nova Geração” pela Furacão 2000. No entanto, a nova interpretação com letras que atacam a esquerda e exaltam a direita ressignificou a melodia, transformando-a em um hino das campanhas conservadoras.

O funk “petista disfarçado” não apenas embala atos políticos, mas também levanta discussões sobre a contradição de figuras conservadoras se apropriarem de um estilo musical frequentemente criticado por sua associação com a “narcocultura”. Lucas Pavanato, um dos protagonistas da campanha, defende que o problema estaria nas letras, e não no ritmo vibrante que caracteriza o funk.

Com o crescimento de sua popularidade, a canção se firmou como um dos hits da campanha de 2026, aparecendo em várias playlists do Spotify e se tornando um símbolo de uma nova era de engajamento político por meio da música. No entanto, a ausência de grandes nomes do funk na defesa da direita evidencia uma divisão no gênero, onde muitos artistas se mantêm neutros ou optam por apoiar a oposição. Assim, a musicalidade que uma vez uniu culturas e épocas agora se transforma em uma ferramenta de debate político, revelando as complexidades da sociedade brasileira contemporânea.