Pitty, a icônica cantora baiana, faz seu retorno com o sexto álbum de estúdio, intitulado simplesmente “Pitty”, lançado nesta sexta-feira, 16 de outubro. Com um total de 12 faixas, o novo trabalho provoca reflexões sobre a trajetória da artista, que há sete anos surpreendeu o público com “Matriz”. O single “Sobremesa” já havia antecipado um tom agridoce, trazendo de volta um rock mais direto, embora suscitasse preocupações quanto ao aparente retrocesso sonoro.
A produção deste novo álbum, realizada por Rafael Ramos e pela própria Pitty, resgata o espírito punk que a caracterizou em seus primeiros trabalhos. Em músicas como “Não à deriva” e “Desobediente”, ela explora sonoridades que tangenciam o stoner rock e o metal, sem perder de vista a maturidade que seus 49 anos e experiências de vida lhe conferiram. A letra do blues-rock “Álbum de casamento” é um exemplo claro dessa nova fase, onde Pitty se propõe a expor suas dores e conquistas de forma visceral.
Com letras contundentes e autorais, Pitty não se esquiva de discutir temas como maternidade e autoafirmação. Em “Caminhada”, ela aborda a sororidade feminina, unindo vozes em um chamado à resistência. Outro destaque é a faixa “Cuidada”, um tocante diálogo entre mãe e filha, revelando a complexidade das relações familiares à luz de suas próprias vivências como mãe.
No entanto, nem todas as faixas do álbum parecem estar em sintonia com esse tom coeso. “Pileque de poeta”, por exemplo, se afasta do estilo predominante e se aventura em sonoridades mais pop, o que pode causar estranhamento aos ouvintes. Por outro lado, “Sobriedade seletiva” se ajusta melhor ao clima roqueiro, mesclando elementos de punk-disco e house.
À medida que o álbum avança, ele apresenta momentos de desaceleração que destacam a profundidade emocional das letras. “Nó”, a faixa de encerramento, sintetiza a mensagem de resiliência de Pitty: “Pior que cair é nem tentar andar”. Essa reflexão final sugere que, apesar de um possível retrocesso em termos de sonoridade, a artista continua firme em sua jornada, mostrando que, mesmo ao revisitar suas raízes, Pitty se recusa a estagnar.


