sexta-feira, 16/10/2026

Karim Aïnouz revela o processo de seleção de Elle Fanning e Callum Turner para seu novo filme: “Uma questão de afinidade com o material

O cineasta cearense Karim Aïnouz, conhecido por obras aclamadas como “A Vida Invisível” e “Praia do Futuro”, apresenta ao público brasileiro seu mais recente longa, “Rosebush Pruning”, após sua estreia na 76ª edição do…

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O cineasta cearense Karim Aïnouz, conhecido por obras aclamadas como “A Vida Invisível” e “Praia do Futuro”, apresenta ao público brasileiro seu mais recente longa, “Rosebush Pruning”, após sua estreia na 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim. Com um elenco estelar que inclui Elle Fanning, Callum Turner e Riley Keough, o filme chegou aos cinemas brasileiros em 15 de novembro.

Em uma conversa com o g1, Aïnouz compartilhou sua empolgação ao trabalhar com Fanning e Turner, revelando que o interesse genuíno dos atores pelo projeto facilitou sua participação. “A Elle almoçou comigo e comentou que adorou sua personagem. Para um ator, é estimulante interpretar alguém que traz mudanças e provocações”, explicou o diretor.

Ambientado na Catalunha, “Rosebush Pruning” explora a vida de uma família americana rica, cujos membros se demonstram mais preocupados com suas aparências e bens materiais do que com o bem-estar do pai, uma figura dominadora. A trama se intensifica quando Jack, o filho mais velho, decide deixar a família, provocando uma série de eventos que culminam em sua desintegração.

A ideia para o filme surgiu durante a pandemia, quando Aïnouz se viu buscando formas de enfrentar a incerteza do momento. O projeto foi inspirado em “De Punhos Cerrados”, clássico do cinema italiano, e o diretor viu nele uma continuação de seus temas anteriores, que exploram dinâmicas familiares disfuncionais e figuras patriarcais opressoras.

O cineasta destaca que “Rosebush Pruning” também reflete o isolamento das classes privilegiadas durante a pandemia, um tema que permeia o desenvolvimento do roteiro. “Queria explorar personagens fora da minha zona de conforto e a sátira me permitiu abordar questões polêmicas de maneira humorística”, afirmou Aïnouz.

Ainda que o filme contenha cenas impactantes, o diretor se surpreendeu com a receptividade do elenco em relação ao material desafiador. Segundo ele, a curiosidade e o desejo de trabalhar em algo diferente foram motivadores para os atores. Aïnouz acredita que a combinação de humor e crítica social ressoará bem com o público brasileiro, que possui um senso de ironia que pode não ser compreendido em outros contextos.

A fotografia vibrante de Hélène Louvart e a trilha sonora envolvente de Matthew Herbert também se destacam, contribuindo para a identidade visual e sonora do filme. O diretor expressou sua preocupação em manter sua marca autoral em produções internacionais, ressaltando a importância de contar histórias de maneira única.

Com planos para novos projetos, incluindo “Neon River”, que terá parte da trama ambientada no Japão, Aïnouz reafirma que sua principal motivação é a busca por narrativas que o instiguem, independentemente do local de filmagem. “Estou sempre em busca de histórias que me apaixonem e que mereçam ser contadas”, concluiu o cineasta, reafirmando sua dedicação à arte cinematográfica.